ūüĒé As diferen√ßas na composi√ß√£o dos m√©is de abelhas Apis e Jata√≠


As diferenças na composição dos méis de abelhas Apis e Jataí

A criação de abelhas, no Brasil, é dividida em Apicultura que utiliza as abelhas Apis melífera e a Meliponicultura que utiliza as abelhas sem ferrão, como a Jataí.

O mel e sua qualidade podem variar muito por diferentes fatores como:
- regi√£o, clima e solo
- cuidado no manejo e manipulação
- espécie e genética da abelha
- a florada (pólen e néctar) que é a "matéria prima" de sua elaboração

Os principais componentes do mel, independente do tipo de abelha, s√£o a √°gua, os glic√≠dios (ou carboidratos) e outras subst√Ęncias como os as prote√≠nas (amino√°cidos), enzimas, √°cidos org√Ęnicos e minerais.

A composição do mel de abelha nativa, como a Jataí, é pouco conhecida, embora a análise das suas propriedades físico-químicas esteja associada com os méis de abelhas Apis.

Falando sobre o mel da abelha jata√≠ (T. angustula), ele est√° apto para o consumo “in natura”, pois o mel analisado em estudos apresentou colora√ß√£o parda, sabor caracter√≠stico, contudo levemente √°cido e odor pr√≥prio, sendo agrad√°vel e caracter√≠stico de mel normal e todos os resultados derivados dos testes aplicados estavam em conformidade com os padr√Ķes impostos por legisla√ß√£o para Apis mellifera e em acordo com a literatura.

Vamos fazer um comparativo dos principais e mais importantes nutrientes presentes nos dois tipos de méis: mel da abelha jataí e mel da abelha Apis.

Os valores foram comparados às normas vigentes existentes para mel de A. melífera (Brasil, 2000). Para alguns indicadores, como as proteínas, teor fenólico e de flavonoides, não existe valor estabelecido na legislação em vigor para méis das espécies de abelhas sem ferrão.

Comparativo dos méis РValores médios
(em 100 g de mel)

Nutrientes
Valor de referência
APIS
JATA√ć
pH (mEq/kg)
3,20 a 4,80
3,84
4,13
Acidez total (mEq/kg)
M√°x 50* e 85*
24,14
71,68
A√ß√ļcares redutores (g)
Min 65** e 50**
72,09
63,45
Frutose (%)
27 a 45
36,19
45
Glicose (%)
22 a 41
31,28
45
Sacarose (%)
M√°x 6
4,63
0,95
Proteínas (%)
-
0,31
0,37
Cinzas (%)
M√°x 0,6
0,20
0,40
Fenólicos (mg)
-
55,69
103,64
Flavonóides (mg)
-
3,62
5,89
Umidade (%)
M√°x 20*** e 35***
17,14
29
Valores de referência (BRASIL, 2000 e Vilas-Boas e Malaspina, 2005)
* Acidez (máx de 50 para Apis) e (máx de 85 para Jataí)
** A√ß√ļcares redutores (min 65g para Apis) e (min 50g para Jata√≠)
*** Umidade (máx 20% para Apis) e (máx 35% para Jataí)



√ľ  pH: √© referente aos √≠ons hidrog√™nio presente em uma solu√ß√£o e √© um par√Ęmetro antimicrobiano j√° que promove maior estabilidade em frente ao desenvolvimento de microrganismos. A classifica√ß√£o do mel de acordo com o pH √©:
√ľ  pH = 7 √© neutro;
√ľ  pH > 7 √© b√°sico;
√ľ  pH < 7 √© √°cido.
√ľ  Acidez total: determina a acidez do mel, contribui para a sua estabilidade atuando como inibidor de micro-organismos, al√©m de atuar como indicador de formas inadequadas de armazenamento e in√≠cio de processo fermentativo.
√ľ  A√ß√ļcares redutores: s√£o os carboidratos em em maior quantidade no mel, respons√°vel pelo fornecimento de energia r√°pida. S√£o classificados em:
√ė  Glicose: tem baixa solubilidade determina a tend√™ncia da cristaliza√ß√£o do mel.
√ė  Frutose: determina a do√ßura do mel. M√©is com altas taxas de frutose podem permanecer l√≠quidos por longos per√≠odos ou nunca cristalizar.
√ė  Sacarose: √© um a√ß√ļcar que ainda n√£o foi totalmente transformada em glicose e frutose.
√ľ  Prote√≠nas: nutriente rspons√°vel pela forma√ß√£o e crescimento muscular.
√ľ  Cinzas: representa a quantidade de minerais contidos no mel (Pot√°ssio, S√≥dio, C√°lcio, Magn√©sio, Mangan√™s, Ferro, Cobre, L√≠tio, entre outros).
√ľ  Fen√≥licos: s√£o estruturas qu√≠micas respons√°vel pela capacidade antioxidante do mel no nosso organismo. Exercem efeitos preventivos e/ou curativos em dist√ļrbios fisiol√≥gicos no ser humano.
√ľ  Flavon√≥ides: s√£o compostos bioativos que tem como fun√ß√£o a prote√ß√£o do mel contra danos oxidativos, al√©m de proteger nosso organismo contra os radicais livres. Tem fun√ß√£o antioxidante, anti-inflamat√≥ria e podem prevenir doen√ßas.
√ľ  Umidade: teor de √°gua presente no mel.


REFERÊNCIAS
1.        INSTRU√á√ÉO NORMATIVA N¬ļ 11, DE 20 DE OUTUBRO DE 2000 (BRASIL, 2000)
2.        Aline F. Lira, Juliana P. L. de Mello Sousa, Maria Cristina A. Lorenzon, Carlos Alberto F. J. Vianna
e Rosane N. Castro. ESTUDO COMPARATIVO DO MEL DE Apis mellifera COM M√ČIS DE MELIPON√ćNEOS. Acta Veterniaria Brasilica, v. 8, n. 3, p. 169-178, 2014.
3.        Anacleto, D.A. et al. COMPOSI√á√ÉO DE AMOSTRAS DE MEL DE ABELHA JATA√ć (Tetragonisca angustula latreille, 1811). Ci√™nc. Tecnol. Aliment., Campinas, 29(3): 535-541, jul.-set. 2009
4.        Elisa Chiapetti, Francieli Braghini, et al. COMPARA√á√ÉO DAS CARACTER√ćSTICAS F√ćSICO-QU√ćMICAS DO MEL DE ABELHAS AFRICANIZADAS (Apis mellifera) E ABELHAS JATA√ć (Tetragonisca angustula) COMERCIALIZADO NA MICRORREGI√ÉO DE FRANCISCO BELTR√ÉO – PR. Revista de Ci√™ncias Agr√°rias, 2017.
5.        Nicaretta, C. Et al. AN√ĀLISE FARMACOGN√ďSTICA DO MEL DA ABELHA JATA√ć (Tetragonisca angustula).  Congresso de Ci√™ncia e Tecnologia. UTFPR. Campus Dois Vizinhos.
6.        Souza, G. L. Composi√ß√£o e qualidade de m√©is de abelhas (Apis mellifera) e m√©is de abelha jata√≠ (Tetragonisca Angustula). Disserta√ß√£o de mestrado.  Universidade de S√£o Paulo. 2008.
7.        VILLAS-BOAS, J. K.; MALASPINA, O. Par√Ęmetros fisico-qu√≠micos propostos para controle de qualidade do mel de abelhas ind√≠genas sem ferr√£o no Brasil. Mensagem Doce, n. 82, p. 6-16, 2005.